terça-feira, 8 de maio de 2007

Meu futuro e primeiro Royal Flush

Surrender To Destiny
-Wonderfalls

Hoje eu vou contar a história de uma maneira diferente.

O post é sobre esses trechos (no spoilers!) que de uma maneira ou outra me impulsionam para que eu tome a mais importante decisão da minha vida. Eu sei quem sou, mas não sei que profissão seguir, talvez porque a escolha disso seja totalmente minha. Eu vou pagar a faculdade e por isso a responsabilidade inteira cai sobre meus ombros.

E tem algo mais assustador que ter toda essa responsabilidade? Eu fujo da decisão, mas acho que chegou a hora...

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Entrando no Jogo

E o espírito do pai, sentado entre Morte e Vida, convida o filho "Vamos jogar?"

-Eu prefiro esperar essa partida acabar - responde Nate.


-Ah! Esse jogo vai durar toda a eternidade - responde a Morte.
-Então filho, decida, ou você está no jogo, ou você está fora dele - completa o pai morto.

-Ok, Eu aceito. E o que vocês estão apostando?

-Tudo; eles respondem.


Após momentos decisivos deste dia, Nate pensa sobre vida e morte.

O pai morto o abraça e encerra o dia falando:

-Filho, você está no jogo agora. Goste você ou não...



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"O jogo.

Eles dizem que, ou a pessoa é boa o bastante
para jogá-lo, ou não.
Minha mãe era uma das melhores.
Eu, por outro lado, sou meio atrapalhada.


Eu não consigo pensar em nenhum motivo
pelo qual eu deseje ser cirurgiã...

mas posso pensar em milhares
pelos quais deveria desistir.

Eles dificultam tudo de propósito.
Há vidas em nossas mãos.

Existe um momento quando se torna mais do que somente um jogo...
e, ou você dá um passo a frente...
ou se vira e vai embora.



Eu poderia desistir do jogo,

mas aqui vai a conclusão:



Eu adoro o campo de batalha."

-Meredith Grey, Grey's Anatomy




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Finalizando, todos sabem que os seriados me fascinam, mas poucos sabem o porquê. É que eles me trazem algo que não encontro na vida: uma conclusão. No final existe a epifania exata e tudo faz mais sentido. Independente de ter dado certo ou não, aquele dia valeu a pena na vida daquelas pessoas.

Eu busco isso agora, vai ser meu primeiro royal flush desse jogo, um desafio de quatro ou cinco anos que, mesmo sofrendo, faça valer a pena cada segundo.

E que me defina como pessoa também. Afinal, é buscando um objetivo que usamos todas as nossas forças e testamos todos os nossos defeitos.


" Best,
You've got to be the best
You've got to change the world
And you use this chance to be heard
Your time is now"

-Muse,
Butterflies And Hurricanes



sexta-feira, 4 de maio de 2007

Onde estou?

"Quem me quer não me conhece; quem me conhece me teme".
-Clarice Lispector, base para tudo, sempre.


Dia desses eu me vi (quase) satisfeito e perguntei onde estou. Se eu não consegui consertar o que me resta de ruim eu ao menos consegui visualizar um ideal
. Se eu não consigo conter determinados sentimentos, ao menos consegui trabalhá-los de uma maneira mais justa comigo. Eu até mesmo chorei, fato inédito depois da minha adolescência.

Eu tive vitórias, mas me falta algo.

Eu senti melhoras em todos os temas que trabalhei aqui. Só havia - e há - um campo em que a minha vida retrocedeu a
passos largos em direção ao meu estado mais primitivo e infantil. O amor, que de uma maneira sutil, afetou todos os outros campos.

E eu falo de uma pessoa amar a outra e namorar. Eu não sei o que é amor. Só sei que comigo não aconteceu, nunca nessa intensidade. Se o mundo acha que ama e isso for mentira, se eu sou incapaz de amar no sentido de relacionamento da coisa, eu juro que não sei.

Pensando no que deu errado, no que me falta, eu concluo que terei que levantar a espada mais uma vez. E sabe por que? Porque o amor destruiu
todos os outros campos da minha vida.

Eu preciso acrescentar uma ressalva aqui já que posso ser duramente criticado. Do lado direito desse post tem uma descrição do meu blog e avisa que meus textos são "nada complexos em forma, mas necessariamente verdadeiros em conteúdo".

Ok, lá vai: Eu não lutei só por mim. Digam que fui um tolo, um idiota ou imaturo, mas na maioria das lutas era para que eu possa ficar 10 minutos com uma pessoa e ela nem reparar que eu não sei existir.

E eu não sei existir, eu não sei qual é o meu lugar na vida das pessoas e muito menos na minha. Não sei nem ao menos onde estou agora, lembrem-se do título do post.

"Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por que dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma.", dizia Clarice.

Minha vida é algo abaixo do que eu quero e tem o fato de que eu não me admito como inferior. Se eu pudesse eu matava cada parte mesquinha de mim e lapidava um ideal bem mais alto. Mas pra que? Para os outros, infelizmente, porque se nem eu me suporto, quem vai?

E dizem que para amar, você primeiro tem que se amar. "Quem não se dá, a si próprio detesta, e a si próprio se castra. Amor sozinho é besteira". Já dizia um dos maiores brasileiros. E Clarice - sempre ela - dizia que "quando digo que te amo, estou me amando em você..." Dessa parte posso concluir que não consigo amar os outros porque eu não me amo.

Eu baixo a guarda agora, eu abro o peito e digo esses segredos, pra quê tudo isso? Porque se um dia eu tiver que explicar o egocentrismo de meu ser eu terei esse texto como base. Eu não fui plenamente feliz porque me entreguei a esse caminho pensando em seres que não pensam em mim.

Agora eu chego a conclusão fatal: e se eu só pensar em mim nesse caminho, evitando somente prejudicar os outros? E se o medo da solidão se transformasse em vontade de ficar sozinho? Onde estaria eu agora?

Estaria em mim, meu único abrigo seguro, meu único amigo fiel, meu único não-vivo-sem que existe por aqui. Eu mesmo.

Eu vou dar um pouco mais de tempo, porém eu sei que no final... Deixa eu citar logo,
"But in the end, it´s always me alone". É a minha jornada. Sei que se eu tivesse alguém do meu lado seria mais fácil, mas Deus nunca facilitou as coisas pra mim nesse nível.

Eu quero amar porque me sinto incompleto. Poderia eu procurar o que falta em mim mesmo? Me tornaria então em uma força insuperável? Eu seria completo?


"Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade."

Aceita-ti Roque, tua jornada não pode mais esperar
. Então, esperem tudo de mim agora. Esperem toda a selvageria do meu ser, toda a minha força, porque eu nunca sei direito o que quero e é essa a origem de toda a minha fraqueza, mas quando eu decido que quero, o universo conspira ao meu favor. Eu movo montanhas.

Se eu quiser viver sozinho, nada mais poderá me parar novamente senão eu mesmo.


" Eu quis ser eu mesmo
Eu quis ser alguém
Mas sou como os outros
Que não são ninguém...

...As brigas que ganhei
Nem um troféu
Como lembrança
Pra casa eu levei

As brigas que perdi
Estas sim
Eu nunca esqueci
Eu nunca esqueci
"
-Pato fu

terça-feira, 1 de maio de 2007

Mais um ponto final

"I don’t know. It’s just…that day. I came out of the water. I spent the scariest hour of my life trying to breathe for you. I love you and I want you but I don’t know what to…you didn’t swim. You didn’t swim and you know how to. And I don’t know if I can…I don’t know if I wanna keep trying to breathe for you."
- Derek, Grey's Anatomy

É como Derek disse, você sabia nadar e simplesmente não o fez. Eu te tiro da àgua, faço respiração boca a boca, mas não dá mais. Não posso continuar respirando por você.

Que eu assuma meu sentimentos, acho que gosto. Mas que eu ganhe vergonha na cara logo e esqueça, afinal eu também sei ouvir um não.

Obrigado por ter ao menos reforçado o que eu disse no post abaixo, preciso ser mais egoísta. E, pensando por esse lado, não deve merecer alguém como eu mesmo, o que quer que isso signifique, seja eu bom ou seja eu ruim, ao menos eu gostei de ti de uma maneira que ninguém agora o faz.

Agora é comigo, que eu cresça mais com tudo isso e que eu prossiga. Eu sei respirar sozinho e longe de ti eu também sei viver, só não queria.

"...I love you. In a really, really big...pretend to like your taste in music. Let you eat the last piece of cheesecake. Hold a radio over my head outside your bedroom window. Unfortunate way that also makes me hate you...love you. So pick me. Choose me. Love me."
-Meredith - Grey's

Walking in Straight Lines

A good friend will give you an umbrella in the rain, but a best friend would shove you out the door and yell "RUN BITCH RUN!"

E hoje a Rainha de Copas veio aqui e trouxe bem mais que risadas e boa conversa, matou a saudades e me fez pensar. Colocando o papo em dia expliquei os acontecimentos do último Plastika com mais calma e ela respondeu minha pergunta com algo muito intenso.

É que você está mais forte mesmo -disse ela - e tudo isso é reflexo de você cada vez mais estar sendo você mesmo , estar sendo autentico. Quando a gente se aceita e se assume nada pode te derrubar. Foi mais ou menos isso que ela disse, e eu aceito.

Todo esse blog, toda essa jornada é muito mais vital para a minha sobrevivência do que aparenta. Se você deseja escrever - e eu espero que um dia você o faça - deve tentar ao máximo explicar os porquês das coisas e dos sentimentos, o que invariavelmente acaba te levando a pensar na origem de tudo. A partir do dia em que comecei a escrever não me importa mais em dizer "Eu senti" sem dizer "porque acontece isso". Nem tudo se encaixa num padrão, mas ao menos pensar sobre como as coisas chegaram nesse ponto pode render mais atenção a pensamentos e ações que antes pareciam banais. Surge a impressão de amadurecimento.

E eu corro contra o relógio. Há quanto tempo eu não amadureço? Dia desses percebi o quanto algumas pessoas até mesmo fazem aquela cara de "Nossa! Ele descobriu a roda!" em algumas das minhas conclusões, mas isso sempre me faz seguir, se existe um novo degrau na escala da evolução, se alguém já está num status acima que o meu, então eu quero desesperadamente subir também.

Não é competição, é incentivo. Eu por exemplo começo a aceitar a teoria do One Man Guy sobre o fato de que "But in the end, it´s always me alone". Eu compro então meu primeiro livro de Nietzsche e quero me tornar mais egocêntrico. Há anos que o meu universo não gira em torno de mim e há tempos que eu passo mais tempo pensando nos outros que em mim. E, se isso for maldade, se isso for ruim, eu juro que não me importo. Prefiro morrer por mim que pensar que vivo pelos outros.

No final, no final não sobra muita conclusão. É só aquela vaga sensação de que cada vez mais eu alcanço um novo pensamento promissor e que todas as vezes que eu apostei nos outros eu tive decepções, mas todas as vezes que apostei em mim fiquei ao menos satisfeito pelo fato de que fiz algo.

E nada pode me decepcionar mais que a dúvida do talvez...

"Too often, the thing you want most is the one thing you can't have. Desire leaves us heartbroken, it wears us out. Desire can wreck your life. But as tough as wanting something can be. The people who suffer the most,
are those who don't know what they want."

-Meredith - Grey's

sábado, 28 de abril de 2007

Depois da Via Crucis, ressurreição.

"Estou numa liberdade deliciosa. Há anos que eu não sentia isso."
Clarice Lispector - sempre ela.

Já deixo bem avisado. Vai ser impossível explicar algo tão surreal e abstrato quanto minha alma.

E eu cheguei no âmago da coisa. Percorrer um longo e doloroso caminho não foi suficiente, faltava aquilo que eu chamo de coup de grace. A última cartada seria inesquecível e tão inédita quanto
imprevisível.

Eu entrei no ônibus, e entre uma conversa e outra surgiu o assunto da garganta. Quem conhece meus problemas sabe que garganta é o assunto desta vida. A mente dá voltas, é como uma fila de dominós, quando se derruba um, impactua nos outros e um pensamento foi seguindo outros até chegar bem no limite da mente, um ponto cego da qual eu havia me esquecido: como foi que eu sai da depressão mesmo?

Olha onde fui parar, retroceder até o estado primitivo que foi minha vida antes de descobrir a doença e que era facilmente confundida com depressão - e de fato é até um dos sintomas - e tive de encarar como eu me livrei disso tudo. Há uma força maior que todo o universo e o além juntos, que explode e te tira disso, é involuntário e incontrolável. Quando você acorda, você já está de pé de novo. Surge de novo aquilo que chamam de esperança.

Mas de onde vem essa força? Esse era o ponto cego, esse era o fato que minha mente escondia de mim como se fosse algo estratégico. Durante aquela viagem de ônibus a resposta para essa pergunta invadiu meus pensamentos e eu lembrei de tudo.

É como em jogos mortais. Todos tem vidas miseráveis e muitos optam por desistir, vivem como zumbis simplesmente cumprindo rotinas e sofrendo quando não conseguem. Não há luz, não há desejo, tudo o que pode ser confundido com esperança é a inveja, os outros podem ser feliz,
os outros podem ter um amor, os outros podem ter dinheiro, eu não posso. Desse estado miserável em que o suicídio foi uma palavra que poderia trazer conforto eu passei ao amor eterno, tudo num instante.

O ponto cego então se ilumina e eu me vejo com o resultado do ultra-som na mão. E vejo também na foto dois caroços que os médicos chamam de nodos, tumores na melhor das hipóteses. Dezoito anos e eu ouvi a frase célebre "Pode ser câncer". Como em jogos mortais, a força surgiu. Você odeia a sua vida até o momento em que percebe que pode realmente perdê-la, aí luta como um desesperado se agarrando as bordas do momento da morte e implorando por alguns dias, até mesmo por mais alguns segundos.

E por que a mente foi estratégica? Porque depois do que passei eu fiz uma promessa. A vida começa nesse dia, agora eu não desperdiço mais tempo. Eu sou mestre do meu destino e se for para morrer que seja batalhando. Desnecessário dizer que eu não tenho cumprido essa promessa.

Eu coloquei a mão no rosto e disse "O que eu tenho feito da minha vida, Deus?". Eu explodi em dor, eu senti a origem de tudo e foi tão ruim como morrer. Eu tomei de novo a consciência de que estava vivo e é como acordar com baldes de água fria. Lembrei-me lentamente do meu olhar fixo pro meu pulso naquele dia sombrio e de toda a promessa citada. Eu ia fazer a vida valer a pena, mas não tive coragem para tal ato. Eu errei.

Bem no clímax disso tudo algo novo e surpreendente surgiu em meus olhos: uma lágrima. Se vocês soubessem como dói não saber chorar, como não consigo tornar física a tristeza... E eu descobri o quão confortante e aliviadora é a sensação de chorar. A lágrima finalmente escorreu.

De olhos bem fechados me vi nu diante de uma luz infinita. Eu chorava desesperadamente e soluçando eu gritava "Me guia Deus". Era o ápice do absurdo, mas a imagem ficou absolutamente nítida na minha mente. Pode ser o que for, o que vale é que eu sequei em sentimentos. Eu me renovei de tudo. Perdi mil quilos de culpa.

E então eu acordo. Ônibus em movimento, amigos rindo, senti a carne de novo. Em movimentos involuntários esbocei um sorriso tímido, que foi se transformando em gargalhadas escandalosas. Garanto que se existisse uma forma de detectar a louca nas pessoas eu certamente seria um candidato ideal.

E agora eu eternizo tudo nesse blog. Li hoje uma frase impactante: todo velho que morre é uma biblioteca que incendeia. Eu vou deixar esse relato surreal pra qualquer um saber que eu perdi de vez aquilo que chamo de lucidez e que eu não quero esquecer essa sensação de liberdade.

Mas só a esperança não me basta. Eu vou completá-la com algo bem mais real, bem mais prático. Onde a minha esperança falhar, eu vou preencher de perseverança.

Vida perfeita? Que nada, a vida vai me passar mil rasteiras e eu só tenho vinte e dois anos, sofrer daqui há alguns anos vai ser mil vezes mais intenso do que isso que eu chamo hoje de problemas.

Contudo, nessas horas ruins, eu quero me lembrar de hoje.


"...foi por causa de Wonderfalls que eu entendi que o universo é tipo um cafetão nervoso. Latino, com a camisa aberta, uns colares de ouro aparecendo, chapéu com pé, anéis nos dedos. E ele acha que EU sou a puta de ouro dele - e se eu não fizer EXATAMENTE o que ele quer, ele me bate e deixa marca de anel. E, veja bem, como todo cafetão nervoso, ele nunca explica muito bem."
- Bruno Canato, escritor do blog oladoc.blogspot.com