segunda-feira, 23 de junho de 2008

É hora de gritar?

"Um primeiro grito desencadeia todos os outros."
-C. Lispector



São dias complicados, em que a gente simplesmente se pergunta o que se precisa para ser feliz. Só dois tipos de pessoas são felizes o tempo todo: Os tolos, que vivem de ilusão; e os maus, que vivem dos nossos prazeres.

Eu, que já fui feliz através do amor e da auto-descoberta, me sinto exaurido de paixões ou só me reinventando. Nada me convence.

Me dá um frio na barriga saber que eu posso ser bem mais. E eu tenho sido simplesmente tão ordinário...


É inverno, mas sinto que o frio começa aqui dentro.


"Mrs. Dalloway disse que ela própria iria comprar as flores".
- V. Woolf

terça-feira, 10 de junho de 2008

A Big, Big Trouble

"Vocês dois são loucos por se casarem.
Casamento destrói tudo!"
-Miranda Hobbes


(Não contém informações relevantes da trama do filme Sex and the City)


Ah, sim. Estavam todos esperançosos e contentes com a sinopse do filme que dizia "Carrie vai se casar com Mr. Big". Para o mundo, era como uma recompensa. Ela sofreu e lutou por esse cara durante seis anos, e finalmente o sonho dela virou realidade.

Menos para mim.

Primeiro que era o sonho dela, apenas dela. Era óbvio que um cara que já casou duas vezes não vai subir feliz ao altar na terceira, principalmente quando o casamento se torna muito mais um evento de moda do que uma celebração do amor.

Mas o que mais me incomodou foi o fato de que ela torcia para um final feliz e acabou por esquecer de todo o resto. Se essa mulher durante todo o seriado percorreu na alma de todos os relacionamentos, se questionou da necessidade de um homem para fazê-la feliz, aprendeu com todos os erros (e em seis anos acreditem, não foram poucos) e finalmente conseguiu fazer com que o cara da sua vida diga "Você é a única", pra quê tudo isso?

Só pra ela chorar mais um pouco.

Foi necessário regredir todos os ensinamentos anteriores pra criar um filme (e que eu amei), mas o fato de ela não ter aprendido a maior lição de todas me incomoda até agora.

A Carrie merece o Mr. Big sim. Merece casar com um cara que provavelmente está com ela fixamente porque está ficando velho demais e tem medo de terminar sozinho. Ela merece levar ao altar alguém que em seis anos disse mais a palavra "Desculpas" quando a traia ou quando terminava com ela, do que a frase "Eu te amo".

A verdade é que os roteiristas começaram a mudar no meio do seriado o personagem Mr. Big. Ele era, desde o começo, um cliché masculino. Ele era poderoso, poderia ter todas as mulheres que quisesse, mas não queria nada sério. Ele era o cara perfeito, porém inconquistável. Não tem mulher no mundo que possa ser a única. Carrie é tão bem enganada nessa trama que mesmo quando Big casa com outra mulher e a usa como amante, ele a faz a acreditar que não é apenas sexo, mas é porque ele a ama.

Quem garante a Carrie que ele não vai fazer o mesmo com ela?

Mas Carrie se ilude porque o ama. Mais pro final do seriado ele muda, mas nunca houve uma redenção ou epifania. Mr. Big de repente acorda que precisa de uma mulher fixa, e escolhe a Carrie. Só isso.

Sorte do Aidan, meu ex preferido dela e que nem aparece no filme, está para sempre livre de uma mulher em crise. Ele pode finalmente encontrar alguém de carne e osso, e não uma manequim da Dior.

Eu adorei o filme. Passei duas horas e meia envolto em sonhos e no glamour de New York e reencontrei minhas quatro amigas, que me fazem rir e me ensinam muito sobre sexo durante várias madrugadas da minha vida.

Só queria alertar que esse sonho é, na melhor das hipóteses, uma auto destruição. Ninguém que te faz chorar por seis anos pode ser o homem da sua
vida.


E fica a dica. Quem te traz seis anos de lágrimas, pode trazer muito mais.


"Eu amaldiçoou o dia em que você nasceu!"
-Charlotte para o Mr. Big

domingo, 8 de junho de 2008

Músicas e sentimentos

"A vida pode não ser a festa que esperávamos,
mas enquanto estamos aqui,deveríamos dançar."


Considerações finais:


Kissing a Fool, George Michael

Você está distante
Quando eu poderia ser a sua estrela
estranho que você foi forte o suficiente pra começar
Mas você nunca vai encontrar paz na sua mente
enquanto não ouvir o seu coração.

Pessoas.
Você nunca pode mudar o jeito que elas encaram os sentimentos
Melhor deixá-las fazer o que querem
E, pela vontade delas, se você deixar
Roubarão o seu coração.

Pessoas.
Sempre farão um cara que ama se sentir um otário.
Mas você sabia que eu te amei.

Nós poderíamos ter provado a todos.
Nós deveríamos ter visto que o amor persiste.

Enganado com lágrimas nos seus olhos
Coberto de beijos e mentiras
Então adeus

Adeus

Adeus

Mas por favor não leve o meu coração junto.

Você está distante
Quando eu poderia ser a sua estrela.
estranho que eu estava tão cego
a ponto de pensar que você me amava também.

Acho que você estava beijando um otário.


Você só pode ter beijado um otário...



Sobre o segundo Affair:

Faith, George Michael

Oh, eu acho que seria legal
Se eu tocasse o seu corpo
Eu sei que nem todo mundo
Tem um corpo igual ao teu

Mas é melhor eu pensar duas vezes
Antes de me entregar de coração
E eu conheço bem os jogos que você faz.
Porque eu também os faço.

Antes que esse rio
se torne um oceano
Antes que você jogue o meu coração no chão
Oh baby eu concordo que tenho uma noção infantil
Ok, eu preciso de alguém que me agarre
Mas eu vou esperar por algo melhor.

Porque eu tenho que ter fé.

Eu tenho que ter fé. Fé. Fé.



Sobre o último:

She will be loved, Maroon 5


Linda rainha de apenas dezoito anos
Ela tinha alguns problemas com ela mesma
Ele sempre estava lá para ajudá-la
Ela sempre pertenceu a outra pessoa

Batendo na minha janela, batendo na minha porta
Eu quero fazer você se sentir linda
Eu sei que às vezes sou meio inseguro
Mas isso não importa mais

Nem sempre é tudo arco-íris e borboletas
É o compromisso que nos leva adiante
Meu coração está cheio e minha porta sempre aberta
Você pode voltar a hora que quiser

Eu não me importo de passar o dia todo esperando
Sentado na esquina da sua casa no meio da chuva
Olho para a garota que perdeu seu sorriso
Pergunto a ela se ela quer ficar aqui um pouco mais.
E ela será amada

E ela será amada









segunda-feira, 2 de junho de 2008

Assim, tão depressa?



Eu senti o cheiro dos novos ventos há quilômetros de distância, mas hoje, hoje foi bem especial.

Pra começar, pela décima vez, me mudaram de horário no trabalho. Eu sei, parece grade da programação do SBT: eu não sei o que é horário fixo há oito meses. E ainda eu tive graves problemas com um supervisor que, sem o menor pudor, gritou comigo na frente de toda a equipe. E por quatro vezes.

Nunca havia acontecido isso. De repente me mudam de horário e, para a minha surpresa, adivinha quem será o meu supervisor? O pior é que eu realmente gostava dele, mas da última vez que ele gritou eu não consegui mais entendê-lo. O chamei para conversar, mostrei meu ponto de vista e aceitei as desculpas. Mas vamos encarar a verdade, eu não sei como vai ser de agora em diante.

E esse é um caso muito importante da semana. Eu exigi respeito pela minha imagem, quem disse que podem gritar comigo? Eu me senti envergonhado, e vergonha de que? Do meu trabalho? Da minha posição? De ser um terceirizado? Feriram bem onde dói mais aqui, faltar com o respeito comigo e sem motivo não pode. E se acham que vai poder, eu não vou ficar quieto. Eu levantei a cabeça e respondi com dignidade e tom de voz baixo porque eu sou eu, independente do estresse ou da ofensa, pelo menos eu sou profissional e sensato.

Então, hoje era o meu último dia de folga antes de toda a mudança e de encarar a nova situação. Sair da empresa às dez da noite com certeza vai afetar o meu ciclo social, minha mente, minha rotina e meus hormônios. Era óbvio que algo ia mudar, o que eu não previ foi que um dia antes tudo seria jogado de pernas para o ar.

Melhor eu digerir toda essa situação e escrever mais depois.

Mudança, sempre dizem que é bom.

Mas o mundo mudou tanto que eu fiquei desnorteado. Tonto. Perdido.

E amanhã, amanhã começa pra valer!

Sem mais teorias desta vez. Melhor viver e depois fazer aqui minhas considerações.

sábado, 24 de maio de 2008

Casos antes da parada

Se homosexualismo é uma doença,
vamos todos ligar para o trabalho e dizer:
"Alô. Ainda não posso trabalhar. Continuo sendo viado."
-Robin Tyler



Eu já estava desistindo da fila do McDonald's quando as duas se viraram e deram um beijo assim, em público, em pleno Aeroporto Internacional de Guarulhos. E olharam pra mim. Eu virei de vergonha, sei lá, sabe quando a gente olha fixamente e a pessoa repara? Sei é que bateu uma vergonha e me virei.

Virei bem a tempo de ver um homem musculoso coçando suas partes baixas e olhando pra mim com cara de "estou no cio". Com cara de tesão. E eu com cara de assustado.

Olhei surpreso em volta. Todos tinham percebido os dois fatos. O que aconteceu com esse lugar?

Ah, só podia ser, lembrei tranqüilizado: era a sexta-feira do final de semana da Parada Gay.


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-Olha! O Rafa!

E todos ficam curiosos e se viraram ao mesmo tempo, procurando ansiosos a tal pessoa.

-Quem?
-O Rafael Alencar!
-Nossa! Não acredito! Cadê"

Caminhando sábado na Paulista eu ouvi o diálogo e segui instigado. A minha direita um grupo de adolescentes tietes. Na minha esquerda dois homens vinham na minha direção.

Foi quando meu olhar cruzou com o dele. Mais baixo que eu,
exibindo pela camiseta regata um corpo muito malhado e olhos de uma cor que foto nenhuma consegue reproduzir.

O nome era fácil de decorar. Mais tarde a pesquisa do Google me apresentou o rapaz: Rafael Alencar é um ator pornô gay internacionalmente famoso. O Brasil exportando até nossos rapazes.

E isso explica a tietagem. Eu estava diante do cara da foto, alguém que muitos gays fantasiavam. Eu estava diante de um ícone pornô. De um gay muito cobiçado.

E ele olhou pra mim.

E sorriu.

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Como eu poderia dizer que ele mentiu?

Na noite anterior ele beijou um homem, bem do meu lado. Hoje ele diz aos héteros que queria comer "fulana" e que tinha medo de ir na balada tal porque tinha muito viado.

O pior é que eles, um por um, faziam isso. O preconceito crescia não diante dos que enojam dois homens juntos, mas da nossa própria hipocrisia. Não faz muito tempo que eu descobri que um dos mesmos, que tanto era contra "essa viadagem toda", havia ficado com um cara.

E eu me perguntei, o que eu tenho a ver com isso?

Afinal, quem tem a ver com isso?

Mas a imagem era muito poderosa. Se você fosse visto como hétero ou como gay fazia uma diferença incrível, independente das suas atitudes. Sempre foi o preço de morar em condomínio. A vizinhança é ampla demais, a quantidade de pessoas que você lida diariamente é imensa. E a crueldade delas, sem limites. Tem gente que simplesmente vive de fofocas.

E pouco a pouco a gente se prendeu numa armadilha contra nossas próprias imagens. Passaram a dizer então que se fulano beijou fulano, se eu ando com fulanos, fulano sou. Se eles se beijam e a gente convive, eu beijo eles.

O pior é que eu nunca fiquei com meus amigos e nem amigas. Pra mim essas coisas naturalmente foram separadas. Não é tabu, é realidade. Eu posso sair do apartamento deles às 4 da manhã, e a gente nunca ficou.

Mas quem vai acreditar? Afinal, se eles falarem de mim, evitam que falem deles. E hoje em dia, é bem mais sábio cruzar a rua e não cumprimentar o seu amigo gay do que sair por ai mal falado. Ao menos na prática era assim que eles agiam.

E, como a minha imagem estava manchada, pessoas começaram a me evitar. Se antes eram abraços, agora é apenas um discreto aceno com a cabeça.

E a situação foi piorando com o tempo, até o ponto que os ditos "amigos" começaram também a me evitar.

Eu fui perceber tarde. Vai todo mundo pagar um preço caro demais por um monte de
mentiras que ninguém acredita. Mas é melhor uma mentira mal contada do que uma verdade simples demais.

Quando a verdade é sem graça, ninguém acredita.



"Como pode, culturalmente falando, nos sentirmos mais confortáveis vendo dois homens segurando armas do que dois homens de mãos dadas?"
-Ernest Gaines